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quarta-feira, janeiro 18, 2012

São eles físicos ou matemáticos?

Autor: Gustavo Corção
Obra: As descontinuidades da Criação 

Creio que não basta raciocinar com a "desprezível pequenez" de nosso universo U1 (1) para eventos cuja probabilidade é chamada de escala super-cósmica. Há na afirmação de que todas as leis da Física são estatísticas um curioso paradoxo: ela peca justamente por onde pecava a filosofia das ciências "belle époque" newtoniana, a saber, pela falta de discernimento entre os dois tipos e graus de abstração.

Não há ciência senão do universo; o empirismo nominalista (2) que levasse o furor particularizante até o projeto de estudar uma por uma todas as pedras de um rio, como sugere São Tomás, que às vezes sabia divertir com os erros dos filósofos, levaria estes últimos diretamente aos hospícios. O mundo moderno não está longe desse resultado, com a vantagem de dispensar os hospícios. Seja como for, não há ciência sem alguma abstração; a Física abstrai a particularidade, a singularidade concreta, mas não deixa para trás a materialidade; a Matemática, porém, embora lindando com categorias que só se realizam extra mentalmente no mundo corpóreo, abstrai a materialidade, e lida com puras formas que são entes de razão. E é dessa singular e oblíqua abstração que resulta o equívoco que atribui às matemáticas um puro valor de símbolos ou de formas a priori criadas pelo espírito humano.